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{ Resenha } Invisíveis - Stef Penney

Lido em: Março 2015
Título: Invisíveis
Autora: Stef Penney
Gênero: Drama, Investigação
Páginas: 382
Ano: 2012
Editora: Intrínseca
Comprar: Submarino | Ponto frio 
Nota: 
Quando Rose se casou com o atraente Ivo Janko, integrante de uma família de ciganos nômades, muitos de perguntavam o que os dois tinham em comum. Rose é quieta e tímida. Ivo é taciturno, porém carismático. Depois que ela desapareceu, boatos diziam que ela fugira por causa de um filho que nasceu com o problema genético da família. Mas o pai de Rose, Leon, não tem tanta certeza disso. Ele quer saber a verdade e contrata um detetive particular para descobri-la. É aí que entra Ray Lovell, um detetive, que embora pouco renomado, tem a vantagem de ser descendente de ciganos. Lovell concorda em pegar o caso. No entanto, sete anos após o desaparecimento de Rose, ele teme que tenha se passado tempo demais. Além disso, sua investigação é dificultada pelas únicas pessoas que poderiam ajudá-lo: a família Janko. Trata-se de um clã fechado,e a última coisa que desejam é um estranho se metendo em seus assuntos particulares. Ray não consegue entender a relutância deles em ajudar. Qual é o motivo de não quererem que Rose Janko seja encontrada?
A história, que tem como narradores Raymond (o detetive de meia idade, Ray Lovell) e um jovem de 14 anos, JJ (James Janko), filho de uma cigana com um gorjio (não cigano), se passa dentro do universo cigano e da investigação. Raymond, assim como JJ, é meio cigano, mas diferente dele, não tem modo de vida cigana, vive estabilizadamente. A narrativa se confunde em dois tempos: quando Ray acorda em um hospital (vítima de envenenamento, bom citar), suas lembranças do passado, e a narrativa de JJ. Os narradores são justamente os observadores dos fatos, acima de qualquer suspeita. Ray foi contratado para investigar e por questão de honra, vai com o caso até o fim. JJ é um simples adolescente, mas quando se vê rodeado de mentiras, onde nada é o que parece — literalmente — faz suas próprias investigações, correndo muitos riscos e sofrendo a cada descoberta.

Tudo começa quando chega ao escritório de Ray em busca de seus serviços, um cigano de família conhecida por ser uma das poucas com hábitos ciganos ainda presentes no Reino Unido. Sua filha, Rose, está desaparecida a quase sete anos, desde que se casara com um cigano de família baixa, abandonando seu filho recém-nascido, que sofria com uma doença degenerativa, hereditária da família de seu esposo, Ivo Janko. Determinado a descobrir o paradeiro de Rose, Ray se envolve no mundo dos ciganos e mostra seu valor como detetive, em meio ao envolvimento misterioso com Lulu, a renegada da família Janko, que abandonou o modo de vida nômade e consequentemente, sua família, mas está disposta a defendê-la até o fim, gerando assim conflitos com Ray, que tem mil suspeitas a respeito de Ivo.

Do outro lado, um membro ingênuo da família Janko, JJ, passa por crises de identidade como todo adolescente, ao mesmo tempo em que tem que lidar com os conflitos familiares, e também com a doença de seu primo Christo, filho de Ivo e Rose. Os outros personagens — principalmente Ivo — tem uma aura de mistério, e praticamente todos são ciganos.

Agora, falando sob meu ponto de vista, nunca havia lido um livro de Stef Penney, e posso dizer que não estava acostumada com sua forma de escrever: dura e fria, cheia de mistérios, sem se deixar envolver, mas ao mesmo tempo, claramente se entregou de corpo e alma. Suas descrições são quase perfeitas: moderadas e polidas do jeito certo, com liberdade de imaginação e ainda assim fiel aos seus personagens e espaços. Porém, o livro não me tocou, não mexeu com meus sentimentos, apenas me empolgou nas últimas páginas, com um desfecho inimaginável. Houve uma grande carência de emoção ao final da obra, justamente por falta de concepção dos leitores, pois o livro não permite que se tire conclusões acerca do mistério geral.

O mais decepcionante é que não me apeguei a nenhum dos personagens — coisa rara de se acontecer — pois nem ao menos piedade me transmitiram. Tinham uma personalidade um tanto estranha e indefinida, principalmente os narradores, os que deveriam ter sua personalidade mais explícita. O que me lembra as inúmeras reflexões dos personagens sobre a vida, que não foram muito convincentes, inclusive a narrativa de Ray não se diferenciava muito da de JJ (que era muito mais novo e menos experiente).

Com certeza, Stef é uma boa escritora com grandes capacidades de evoluir (levando em conta que este é seu segundo livro), até porque ela abordou um tema polêmico e quase oculto no âmbito social de forma bastante coesa e desafiadora, algo admirável. Na questão da investigação e narrativa em primeira pessoa, seria bom que houvesse um pouco mais de equilíbrio entre a dose certa de mistério e dinamismo para a leitura.
Bom, é isso colecionadores! Chego ao fim recomendando esse livro porque devo admitir que não conhecia muito a respeito dos ciganos, e com essa leitura, um tabu foi quebrado em minha consciência. Vale a pena conhecer esta obra!

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