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Colecionando Quotes #03 - Pandemônio


Pessoal, trago mais um Colecionando Quotes, dessa vez do livro Pandemônio da Laurem Oliver. Resenha

Em lugares não regulamentados, cada história tem um propósito. Mas livros proibidos são mais que isso. Alguns são como teias; podemos sentir o caminho que traçam com seus fios, de leve, até cantos estranhos e escuros. Alguns são balões subindo para o céu: completamente independentes, e também inalcançáveis, mas belos de se verem.
E alguns deles, os melhores, são portas.

Os sacerdotes e cientistas estão certos quanto a uma coisa: Em nossos corações, lá no fundo, não somos melhores que os animais.


Palavras velhas; palavras que quase me fizeram me ajoelhar.
Viva livre ou morra.
Quatro palavras. Dezesseis letras. Serras, choques, redemoinhos sob as pontas dos meus dedos.
Outra história. Nós nos agarramos com forças a ela, e nossa crença a torna verdade. 

Não respondo. Em um mundo sem nenhum amor, é isto que as pessoas são umas para as outras: valores, benefícios e encargos, nada além de números e dados. Nós pesamos, quantificamos, medimos, e a alma é esmagada até virar pó.

Amor, a coisa mais mortal de todas as mortais.
Amor, te mata.
Alex.
Tanto quando você o tem…
Alex.
Quanto quando você não o tem.
Alex.

“Tudo o que você era, a vida que você tinha, as pessoas que você conhecia… poeira.” Ela balança a cabeça e diz, um pouquinho mais firme: “Não existe antes. Só existe agora, e o que vem depois.”

Se você é espera, você se importa. E se você se importa, você ama.

O luto é como afundar, como ser enterrada. Estou em águas da cor de lama. Cada respiração é cheia de engasgo. Não há nada no qual se segurar, não há laterais, nenhuma forma de me agarrar e me puxar pra cima. Não há nada além de se soltar.
Deixar ir. Sentir o peso ao seu redor, apertando seus pulmões, devagar, pouca pressão. Deixe-se ir mais fundo. Não há nada além do fundo. Não há nada além do gosto de metal, e os ecos de coisas velhas, e dias que parecem escuridão.

Essa é a garota que sou agora. Meu futuro é aqui, nessa cidade, cheia de estalactites suspensas como se estivessem prontas para cair.

Gotas, gotas: Somos todos idênticas gotas e gotículas de pessoas, pairando, esperando para sermos derrubadas, esperando por alguém pra nos mostrar o caminho, pra nos derrubar numa trilha.

Seus olhos são um redemoinho de azul e verde e dourado, como a superfície do oceano num dia de sol, e por trás do igualdade, da calma tão praticada, eu acho que vejo algo brilhando lá—uma expressão que desaparece antes que eu consiga nomeá-la.

Somos coisas tão pequenas, tão estúpidas. Durante a maior parte da minha vida eu achei que a natureza era uma coisa estúpida: cega, animal, destrutiva. Nós, humanos, éramos limpos e em control; nós tínhamos forçado o resto do mundo em submissão, demolido, imobilizado em uma lâmina de vidro e nas páginas do The Book of Shhh.


Só na manhã seguinte eu percebo que dia é: 26 de Setembro.
Hana foi curada ontem.
Hana se foi.


Um mundo sem amor também é um mundo sem riscos.

Quando estou correndo, sempre tem essa fração de segundo quando a dor está me rasgando e eu mal posso respirar e tudo o que vejo são cores e borrões—e é nessa fração de segundo, conforme a dor aumenta e se torna demais para suportar, e tem essa palidez me percorrendo, eu vejo algo à minha esquerda, uma cintilação de cor (cabelo castanho, queimando, uma coroa de folhas)—e é então que eu sei, também, que se eu simplesmente virar minha cabeça ele estará ali, rindo, me observando, me segurando em seus braços.
Eu jamais viro minha cabeça pra olhar, é claro. Mas um dia eu virarei. Um dia eu virarei, e ele estará de volta, e tudo ficará bem.
Até lá eu corro.

Se você tomar, nós vamos pegar de volta. Roube da gente, e nós vamos roubar seus cegos. Quando você aperta, a gente bate.
É assim que o mundo é agora.

“Eu não gosto daquele cheiro”, Julian diz. Se ele fosse menos treinado, menos cuidadoso, ele diria odeio. Mas ele não pode dizer; é muito perto da paixão, e a paixão é muito perto do amor, e o amor é amor deliria nervosa, a mais mortal de todas as coisas mortais: É a razão por trás dos jogos de faz de conta, por trás das prateleiras secretas, dos espasmos na garganta.

O mundo está de pernas pro ar e tudo é uma droga e minha vida foi dividida em dois, há duas Lenas diferentes correndo em paralelo uma a outra, a antiga e a nova, e elas nunca serão inteiras novamente.

Eu me pergunto se é assim que as pessoas se aproximam: Elas curam as feridas uns dos outros; elas reparam a pele quebrada.

E, estranhamente, é aí que eu percebo—naquele exato segundo em que eu tenho uma certeza sólida que vou morrer—que todos os beijos que já dei foram deixados para trás. A deliria, a dor, todo o problema que foi causado, tudo o que lutamos por: pra mim está feito, lavado na maré da minha vida.

“Eles já a levaram de mim uma vez”, ele diz. “Eu não quis perdê-la novamente.”

Eu tenho uma urgência em colocar minha mão em seu ombro e dizer que eu entendo. Mas as palavras parecem estúpidas. Nós nunca podemos entender. Nós só podemos tentar, apalpando nosso caminho pelos túneis, indo em direção à luz.

Porque eu quero. Eu nem sei bem o que, exatamente, mas a vontade está lá, onde o ódio e a raiva estavam antes. Mas isso não é uma torre. É uma cova sem fim; que cava fundo e abre um buraco dentro de mim.

E talvez algum dia eu o verei novamente. Talvez exista mesmo um paraíso depois da morte. E talvez seja aberto a todos, não só para os curados.
Mas nesse momento, o futuro, bem como o passado, significam nada. Nesse momento há apenas uma montanha de lixo e sucata, o limite de uma cidade destruída, apenas do outro lado de um lixão de uma cidade altaneira; e a nossa chegada—famintos e meio congelados, a um lugar com comida e água, e paredes que contem os ventos brutais. Pra gente, isso é o paraíso.

Pela primeira vez desde que Alex morreu, eu me encontrei num lugar livre: um espaço não limitado por paredes e desinibido pelo medo. Isso é voar.

Eu sinto uma pontada aguda de tristeza. Eu tive que desistir de tanto, de tantos eus e de tantas vidas. Eu cresci além dos meus eus antigos, das coisas e das pessoas pelas quais me importei: minha mãe. Grace. Hana. Alex.

É é aí que eu percebo, a certeza como uma parede de concreto dentro de mim. Não é nada disso o que eu queria. Não é por isso que eu vim pra Selva, não é por isso que Alex quis que eu viesse: não pra virar as costas e enterrar as pessoas com as quais eu me importo, e me fazer ficar mais dura e sem sentimentos sob seus corpos, como Raven o faz. Isso é o que os Zumbis fazem.

Uma vez que você deixa as palavras saírem, uma vez que você as deixa criarem raízes, elas só vão se espalhar como um mofo em todos os seus cantos e lugares escuros—e, com ele, as perguntas, os trêmulos e estilhaçados medos, o suficiente para te manter acordada permanentemente.

Ninguém pode nos dizer não. Ninguém pode nos fazer parar. Nós escolhemos um ao outro, e o resto do mundo pode ir pro inferno.

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4 comentários:

  1. Adorei os quotes! E como sempre você caprichando nos trechinhos não é??!!!!!

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  2. "Ninguém pode nos dizer não. Ninguém pode nos fazer parar. Nós escolhemos um ao outro, e o resto do mundo pode ir pro inferno." <3

    Ótimas escolhas de trechos!

    flyingwhisper.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Adoro esse livro. Parabéns você sabe escolher muito bem os quotes

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  4. Cada quote é mais bonita que outra :) preciso ler essa série, e neste momento eu preciso ser corada do amor :3
    Beijos, Jessie
    www.fofocas-literarias.blogspot.pt

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